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"na primeira noite
eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim
e não dizemos nada.
na segunda noite,
já não se escondem
pisam as flores,
matam nosso cão
e não dizemos nada.
até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa
rouba-nos a luz
e, conhecendo nosso medo
arranca-nos a voz da garganta
e já não podemos dizer nada."
.::Sempre::.
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.::Passei::.
março 2006 janeiro 2006 dezembro 2005 novembro 2005 outubro 2005 setembro 2005 julho 2005 junho 2005 .::Festim::.
Ambos os 2 Animais fofos Anormal Arte musical Até que enfim Café Paris Caminhando e cantando Cheid Pulgas Claudia Telles CoRa Cuore di Chiara Dias de Chuva Dolce Vita Eu, por eu mesma Horizonte Geométrico Jardim das Delícias Louco por vinil Nas rodas do samba Nexos Nightmare Oggi in Poi Olhando a vida de frente Oncotô? Pássaro Distante Pernambaiano Retratos e canções Revisita da MPB Rosa Choque Sounds of Silence Ventania Wonderland YourSoul .::Onde ir::.
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Itapeva, 27 de outubro de 2005
Primeira vez
Fazia um frio super naquela noite Em tudo isso mais o resto Entrou e ninguém notou Foi sim Ela estava agradecida 04/05/85
Foram essas as impressões da primeira vez que entrei no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) para fazer aulas com Clarice Abujamra. Clarice usava o método de Martha Graham o que me fez ver e respirar a dança de um modo totalmente diferente. Tudo gira em torno do diafragma e os movimentos requerem força e energia, porém são de uma leveza mansa e bonita. Da minha casa até lá era um labirinto de ruas tortas que ligavam Cerqueira César ao Bixiga. E esse caminho eu fazia à pé, balançando meus brincos ao vento...
Itapeva, 20 de outubro de 2005
Então vamos...
Éverton topou viajar de carona comigo pra Bahia. Ótimo! Além de meu amigo, era primo da Leni, com quem eu morava na época. Gente boa toda vida, mas bem dizem que a gente só conhece a pessoa quando mora com ela. Ou quando viaja com ela... rs... Dias antes da nossa partida sentamos pra planejar tudo. Nosso destino: Trancoso – sul da Bahia. Grana??? Pouca. Bem pouca mesmo. Dava pra ir de ônibus de São ao Rio e do Rio a São Paulo. Dava também pra fazer duas refeições por dia. Dava pra pagar uma pousada bem bem bem baratinha. Ou seja: nada de excessos, nada de supérfluos, nada... Combinado??? Combinado!!! Do terminal Tietê até a rodoca do Rio, tudo beleza. Atravessamos a ponte Rio-Niterói de circular e descemos logo depois, perto de São Gonçalo. Ali pegamos o primeiro caminhão. - Pra onde vocês vão?? Depois de muitos caminhões, paramos pra dormir numa pensão em Linhares, Espírito Santo. Tava tudo indo bem. Acordamos cedinho, fomos pra estrada onde tomamos nosso café da manhã que levamos numa mochila à parte: pão pulman com patê, leite em pó, nescau e uns pacotes de bolacha. Tamos lá enchendo a pança quando passa uma carreta descarregada assobiando por nós. - Putz... com essa a gente ia rapidinho né??? De repente, a gente vê uma carreta voltando de ré e parando ao nosso lado. - Pra onde vocês vão?? Pulamos dentro da cabine sem acreditar no tamanho da nossa sorte. O cara era super gente boa, engraçado, falante e no meio da tarde já estávamos em Porto Seguro, embora ele tivesse insistido muito pra gente conhecer o carnaval da sua terra. - Não, não... Quem sabe da próxima! Brigada!!! Até aqui tudo ainda ia bem. Sábado de carnaval em Porto Seguro. Tudo lotado. Turista saindo pelo ladrão. Conseguimos um lugar pra dormir na despensa de uma pousada. Isso mesmo. UM lugar pra dormir. De modos que, enquanto um dormia, o outro saía pular carnaval. Então eu fui. Pulei no meio do povo por quase 3 horas. Bebi água de côco e fui pra despensa. Dispensei o Éverton... rs... que pulou até o dia nascer, quando rumamos pra Trancoso. Naquela época, o acesso a Trancoso, passando por Arraial D’Ajuda era por uma estrada de terra, a bordo de uma jardineira, cujo pneu explodiu numa das primeiras curvas. Desce todo mundo pra ajudar a trocar e foi então que conhecemos um pessoal de São José do Rio Preto que também viajava sem lenço, sem documento e sem barraca. Acabamos alugando uma casa, próxima do “Quadrado” (quem já foi sabe o que é... rs....) e lá nos aboletamos. E foi então que se deu o barraco. No primeiro dia meu amigo resolveu tomar café da manhã, almoçar e jantar. No melhor restaurante do lugar. Acabou a grana e o belezoco ligou pra mãe pra pedir mais. - Não foi isso que combinamos!!!! E ele foi. Passamos o resto dos 10 dias sem nos falar. Inclusive na volta. Quem fez nossa comunicação foi a Sandra, que ficou na casa com a gente e resolveu voltar de carona pra economizar. Eu falava com ela, ela falava com ele. Ele falava com ela, ela falava comigo. No ônibus, do Rio pra São Paulo, eu na janela, ele no corredor, um calor do cão, resolvi abrir a janela. Chovia e molhava um pouco, mas tudo bem. Ele pediu pra eu fechar a janela, que tava molhando ele também. Fiz de conta que não ouvi. Ele pediu de novo. Surda. Daí passa um ônibus na pista oposta e chuáááááááááááá me dá um banho de água de chuva suja. Ele se acabou de rir. E eu séria. Antes de chegar na serra das Araras, trânsito todo parado. Tinha caído uma barreira. Ficamos mais de duas horas esperando. Não resisiti: - Tá vendo?? Não tava com tanta pressa de chegar em São Paulo??? Agora vai à pé. Isso porque quando chegamos na rodoviária do Rio, quase 10 da noite, ele queria porque queria entrar no primeiro ônibus. E eu dizia pra Sandra: - Bobagem correr! Se a gente chegar de madrugada em São Paulo vai ter que esperar o metrô abrir... melhor a gente tomar um lanche e ... Ele já estava no guichê pedindo 3 passagens pra dali 15 minutos. Enfim, chegamos sãos e salvos e ao descer na avenida paulista, olhamos um pro outro e rimos, rimos, rimos, rimos, rimos, rimos de sentar na calçada. Nos abraçamos. Parecíamos dois ets no meio daquele povo apressado: mochila nas costas, sandálias de couro, short e camiseta, colar de conchas, tão bronzeados que só aparecia o branco dos olhos e dos dentes. Nos demos tchau e fomos pra vida. Completamente energizados.
Itapeva, 17 de outubro de 2005
Férias
O fato é que não sei ao certo o que se passou. Nem ao menos sei se passou. Se foi o céu de lua e estrelas, em forma de cúpula, meio que nave espacial, ou o mar azul claro transparecendo fundos. Talvez aquela saudade antecipada dos dias amanhecidos de sol forte, ou a flor vermelha que murchava sem perder a beleza. Sei da flor, sei do sol, do bolero misturando fantasia e magia com o silêncio do lugar, do mar cheio de estrelas do céu. O depois da natureza é que complica e dispersa; são os homens desativando suas fontes de origem, bloqueando os sentidos primitivos, essenciais. Nesse desequilíbrio de cenários busco a qualidade de existir, a força da razão dos porquês enrolando nas bases, sem conseguir atingir ponto algum mais isolado. Sei dos gritos sufocados e das cantarolas despreocupadas. Sei. E sei que não passa de um ponto de interrogação esse saber identificado, essa distância focalizada entre seres iguais comprimidos num sistema longe de ser solar. Chego a mim por dois caminhos distintos, equivalentes somente na essência e sabor. Componho destinos que poderiam fazer-me feliz, se não houvesse a dor de virar a moeda. Há sempre dois lados e ambos agora me são estranhos ao espírito, que baila supremo por mundos anteriores, interiores, superiores. Mundos desabitados de matéria, nos quais a exigência se eleva acima das aparências e a simplicidade é a chave de comando. Não me aborrece a vida ser feita de pedaços dissonantes, pois sei dos dois lados. O fato é perder o saber, ser somente. Escorrer pela areia e deixar-se absorver feito espuma de onda, e aí buscar o que ainda falta. 28.02.85
===================== Foi assim que voltei de Trancoso diretamente para a selva de pedra. O pessoal do banco ficou puto comigo, pois eu cheguei em dezembro e em fevereiro tirei minhas férias vencidas e fui passar o carnaval na Bahia... rs... Fui de carona com o Éverton, um amigo com o qual quebrei o pau assim que pisamos o solo baiano... Mas isso eu conto depois...
Itapeva, 11 de outubro de 2005
Aparecida
Os pais trataram logo de crescer e multiplicar. Certa vez, coincidiu do óvulo estar em casa quando o espermatozóide chegou. Que festa! Um tal de preparativos e mudanças, dentro e fora, nas pessoas e no mundo. E espera que espera, pronto! Nove meses. Todos os casaquinhos, fraldas e fronhas cheirosas e prontas. Tudo certo. - Ih! Que demora! - O quê? Não quer sair? - Não, pôs o braço na frente. - Então, corta! - Entalou, pega os ferros, puxa, vai, força, fórceps.... A vó lembrou da Santa, rezou, prometeu: "Minha santa, se nascer bonitinha, perfeitinha, sem um risco, vai ter seu nome e salve rainha, eu creio em Deus Pai, agora e na hora de nossa morte, pai, filho, espírito santo, amém". Tic tac tic tac tic tac... quanto tempo! Quase 18 horas, meu Deus! Até que... buáááááááaáá... Respira, chora, vive, nasce. E por aí vai, nascendo junto com todos os dias. Respirando, chorando, vivendo, repetindo seu milagre, brigando pra continuar, feliz por ter aparecido, por ser Aparecida... 07/10/85
======================================= Minha mãe sofreu muito para que eu viesse ao mundo. Foram mais de 18 horas de trabalho de parto. Eu era muito grande (4.600 Kg) e na descida coloquei o braço na frente. Não saía nem por um decreto. Tentaram uma cesárea, mas aí já era tarde. O jeito foi me tirar a ferro mesmo. Tenho as marcas da batalha até hoje, numa falha da sobrancelha direita. Minha avó Ana, que não era boba nem nada, fez promessa de que se eu e minha mãe saíssemos vivas dessa, eu teria o nome da Santa. E como eu sou vaso ruim e não quebro à toa, nasci!!! Muito prazer, Eliana Aparecida... Lana para os íntimos... rs... Brigada minha Santinha.... brigada por tudo, viu?
Itapeva, 07 de outubro de 2005
Bloco de papel
Aqui em cima dessa mesa tem um bloquinho pra escrever recados. A gente muda a sala e o quarto e as coisas vão pegando jeito. A gente começa a ser mais íntima de si mesma e se gostar e **** *** ***** achar linda a vida inteira. Todos os tombos e sustos e uivos e abril de 1985. Morre Tancredo. Eu abotôo (do verbo abotoar: eu abotôo, tu abotoas, ele abotoa!) a minha calça e penso, **** da vida: como eu tô gorda! Acendo mais um cigarro com as últimas forças do isqueiro, tal qual eu... Tô sentindo o peso de um caixão de defunto, mais um pedaço do Brasil enterrado. Mas a terra remexeu, a música ajudou e tem muita semente louquinha pra brotar! Lindo! Floresça a vida! Que possam vir à tona os verdadeiros valores de ser ser humano. Volto a acreditar que isso possa acontecer. É **** resistir, mas é feito até inconsciente de tanta urgência. Acredito no bom dia sorridente - super carga de energia, na cooperação, no pique de melhorar -baita luta interior, cuidando pra se colocar integralmente no espaço, deixando espaço pra tudo. A vida me varre. Estapeia meu rosto e não dou o braço a torcer. Respiro (que bom respirar!) e penso que vou conseguir tudo que peço por tudo que agradeço. Paizão do céu! Você é lindo! Você engloba meu mundo, não temo! Não! Alguns vibram na mesma esfera, tem os que não estão bem certos e eu vacilo pra cá e pra lá. Completamente biruta (que antigo!) correndo, resolvendo, acertando, tomando ** **, sorrindo, chorando. *****! Sou eu e a vida cara-a-cara! Curtindo todos os detalhes. Calma. Estou agora em calmaria. O que é o pior, porque se – pai – se seu conseguir colocar em prática todos os toques que você me deu, é isso! Te admiro tanto, porque você não me escreve um dia? Eu ia adorar, penso muito em você. O momento é de solidão profunda e linda. Tô me achando, começando, né? Dá um tempo. É mais ou menos assim: fazer, ou pensar antes, arquitetar e contar mais tarde, num outro tempo que ainda é imaginação. Nem é tudo isso, mas não passa disso. Ofereço esse momento pra vocês. Vocês que são, vocês que serão. Acima de tudo aos que foram, estes últimos já são parte dessa quebrada da história que muitos ouvirão falar sem saber qual era realmente. Por isso queria falar, contar pra vocês. Talvez esse seja o primeiro impulso, o primeiro capítulo. São Paulo, abril/85 Estou presente! Caraca! Como eu falava palavrão naquela época!!! Naquela época só... rs.... Me lembro perfeitamente dessa noite. Escrevi isso sentada à mesinha da cozinha, da minha cozinha!!! Então. Depois de passar dois meses com minha amiga arquiteta, aluguei meu apartamentinho na rua Frei Caneca, 812 apt° 102. Minúsculo de tudo. Maravilhoso de tudo. Assim que voltei das minhas férias na Bahia, mais precisamente em Trancoso, fui atrás do meu canto. Ã??? Férias na Bahia, é? Trancoso, é? É! Mas essa é outra história.... rs.... Queria um cantinho ali por perto de onde eu trabalhava e achei! Um prédio super gostoso, com um grande recuo na frente, cheio de azáleas no jardim e até um pocinho de enfeite. Recentemente passei por lá... ai ai ai... Mas então. Eu e Leni, minha outra amiga, também bancária, dividíamos esse pequeno espaço. E em cima da mesa da cozinha tínhamos o tal bloco de papel pra recados que também servia pra extravazar nossas idéias. Hoje fico pensando em tanta coisa engraçada, triste, bonita, maluca, profunda que a gente registrava ali e que foi parar no lixo. Tudo bem. Importante é que eu sobrevivi e que tenho o que contar. Tem aquela história da greve dos bancos.... nossa, muito bom fazer greve... rs... Não percam as cenas dos próximos capítulos... rs...
Itapeva, 03 de outubro de 2005
Tempo bom
Tudo o que eu precisava era vento e sol Faltava muito pouco E eu não tinha quase nada Foi naquele tempo - Muito prazer, Eliana! A troca de pele foi linda Arrastei, rastejei, prometi Só sabia que queria E desfazia de achar bonito Viajava Olhava e pensava E essa tal hora que nunca chega? Onde coloquei aquele telefone? Gruda mais corpo, faz carinho 28/11/84 |
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