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"na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada. na segunda noite, já não se escondem pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo arranca-nos a voz da garganta e já não podemos dizer nada."

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Itapeva, 19 de novembro de 2005
Não mais

Pode parecer silêncio
Isso que arrebenta o cérebro
Mas é mais
Coisa doida
Chorei
Você não viu
Nem vai ver
Por mais que haja um elo
Que une e gruda
Nossas peles e pelos
Decidi que não mais
Assim não
Afinal
Sou sentimental
Câncer
Ascende
Aquário
E dá-lhe arrepios
Na nuca
Na busca
De ser
Sem nunca ter sido.

16/09/85

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Itapeva, 02 de novembro de 2005
Vento

Chego a mais um deles
Outro período mulher
No suor, nas orelhas
Nas mínimas partes

Observo como me viro
Sempre atenta a não esquecer
Que o tempo vai acabar passando
E o controle permanece
Em mãos

Os olhos piscam
O coração bate
Num flash não muito passado
De dias e noites mais felizes

Não há como negar
A existência própria
Embora haja aceitação de minha parte
E saiba dos possíveis impossíveis

Sei exatamente quando sou feliz
Ou mais, não consigo disfarçar
Essa tristeza minguada
Esse sentimento fraco
Que teima em se pendurar e se arrastar
Atrás de mim
Como um cabelo que cai da cabeça
E vai batendo braço, barriga
Pernas e pés abaixo

Cai no chão
Outros pisam e o levam nas solas pra onde vão
Capaz que seu pé pise um dia
E este fiapo de tristeza
Faça com que se lembre
Que já foi mais feliz
Mais sensato, mais você

Não deu jeito
Não pude mais segurar
E soltei você ao vento
E agora tem muito sol e chuva pra passar.

11.03.86

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