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"na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada. na segunda noite, já não se escondem pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo arranca-nos a voz da garganta e já não podemos dizer nada."

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Itapeva, 27 de dezembro de 2005
Corte

corte.jpg

Quarto-crescente
Corto o cabelo
Quero que cresça
1-2-3-4-5
Você me entende?
Sofro antes
Com a ilusão
Dos dois lados
O que é pior
Sufoco esse
Me encontro
No encontro das faces
Ocultas
E elas gritam
Cada uma para si
Trincando meus pedaços
Tem bocados meus
Em lobos distintos
Embora na verdade
Nem se conscientizem disso
E o melhor agora
Seria o quê?
Crescer com a lua
E sexar... sexar... sexar...
Repito: quero que cresça!
Estou lutando
Engatinhando, mas vou!
Talvez me achem repetitiva (boa!)
Mas nem tchum
Apesar de tudo voltar ao nada
Vou sem nada, para tudo...

31/10/84



Itapeva, 03 de dezembro de 2005
Guarda-roupa

blusa.jpg

Ô, guarda-roupa!
Sei que sou injusta contigo
Perdoa-me, por favor
Sei que tá a maior bagunça
Mas olha só pra mesinha
Aquela debaixo do espelho
Um esparramo gaveta adentro
Tá tudo por fazer
No quarto, na vida
E esse espaço entre hoje e amanhã
Desanima qualquer iniciativa
Por mais sincera
Não arrumo nem isso nem nada
Que espere, agora não dá
E onde quer que eu vá
A utopia do caos aumenta
De pessoa pra outra
Sem interruptor.
Faço discurso na frente do espelho
Me olho de frente e grito pra mim
Desatino, não me movo
Aguardo pelos próximos dias
Na certa serão melhores
Muito mais ou menos diferentes
A mim, basta que signifiquem
Tudo agora é por aí
O quebra-cabeça toma fôlego
Acontece no cotidiano
Vez ou outra faltando pedaços
Espaços desarrumados
Dos guarda-roupas da vida.

28/11/84