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"na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada. na segunda noite, já não se escondem pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo arranca-nos a voz da garganta e já não podemos dizer nada."

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Itapeva, 12 de julho de 2006
Fotos? Ainda não!

As fotos ficaram prontas!
Só falta eu aprender a diminuir sem deformar a cara de ninguém.

Farei um curso básico rápido com minhas filhas.
Aguardem.



Itapeva, 05 de julho de 2006
A 1ª Comunhão

Quando cheguei à Igreja, no sábado à noite, a primeira pessoa que cumprimentei foi o Padre Dinho.

- Deus te ilumine! E nada de gracinhas, heim?

Ele riu e me abraçou.

Somos amigos de escola e, depois de nos perdermos pelo mundo, o reencontrei numa loja de 1,99 e quase caí dura e seca pra trás...

- Padre? Como assim?

Vocação. E toda vez que a gente se encontra, reafirma que é isso mesmo que ele queria da vida. Quem assiste a uma missa rezada por ele, sabe e sente que é a mais pura verdade.

Foi ele que batizou Lu e Gi, numa cerimônia maravilhosa cuja história é contada aqui, (dias 21 e 25 de março, pra quem tiver curiosidade).

Voltando à missa, mal começou e eu já estava chorando só de ver Lu entre as 10 meninas que iam fazer a 1ª Comunhão. Passou um filme na minha cabeça, desde quando ela nasceu e eu nasci junto: mãe. Chorei porque hoje ela me cobra que eu seja mais amiga do que mãe e eu não sei ser. Eu sei ser mãe. Ou acho que sei. E é difícil entender que minha filha cresceu, tá quase uma mulher e não se importa se seu quarto está arrumado ou se tem canetas e lápis no estojo que vai pra escola com a mochila cheia de papéis amassados.

Durante a cerimônia tive algumas ausências, pedindo a Deus que naquele pedaço de farinha molhado no vinho, tivesse algum temperinho mágico e especial, capaz de tornar nossa convivência mais pacífica, mais proveitosa. Eu sei que estamos perdendo tempo com esses embates e que lá na frente, em alguma curva do caminho vamos sentar e rir, achando tudo bobagem. Então pra que esperar essa curva? Por que não sentamos agora e rimos de tudo? Por que não facilitamos?

No final, Padre Dinho chama as meninas para fazerem a benção final com ele. Lu fica, casualmente, ao lado dele. Após a prece, ele a abraça e ...

- Vem cá, Luiza. Abraçando você, estou abraçando todas as meninas. Mas por que especialmente você? Porque eu sou amigo da sua mãe e da Rita, sua madrinha de fé. Já te batizei, estou fazendo sua 1ª Comunhão e espero fazer o seu casamento. Isso pode demorar um pouco né? Já que não pude casar meus amigos, vou casar seus filhos...

Depois das fotos, dos beijos, das flores, cheguei bem perto do ouvido dele e...

- Eu pedi pra você não fazer nenhuma gracinha, né?
- Pediu... Mas eu esqueci... rs...

Um abraço apertado sela e confirma nossa amizade.

De volta ao lar, doce lar, a vida segue seu curso normal. Percebo que o tal temperinho mágico não cai do céu. Somos nós, dia a dia, que temos de cultiva-lo.

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